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Laserterapia e crioterapia para neuropatia periférica induzida pela quimioterapia

Publicado em 08/05/2018

Um dos efeitos colaterais comuns ao tratamento quimioterápico é a neuropatia periférica que pode se manifestar em 30 a 40% dos pacientes que recebem drogas com potencial neurotóxico. Ela se manifesta após alguns ciclos de quimioterapia, piora progressivamente ao longo do tratamento e é dose dependente. Os pacientes relatam alterações de sensibilidade nas mãos e nos pés como formigamento, dormência, dor ou queimação que podem afetar a qualidade de vida. Em casos mais avançados apresentam dificuldades para pegar objetos pequenos, abotoar a camisa, calçar um sapato e até caminhar. Pode também ocorrer perda de força nos membros, porém esse efeito adverso é mais incomum. A neuropatia melhora progressivamente nos meses subsequentes ao término do tratamento, porém pode persistir por anos em alguns casos.

As principais drogas envolvidas na NPIQ são: cisplatina, oxaliplatina, paclitaxel, docetaxel, bortezomib e talidomida. Essas drogas fazem parte de esquemas de tratamento principalmente de câncer de mama, ovário, pulmão, gastrointestinal e mieloma múltiplo. Várias estratégias de tratamento medicamentoso para NPIQ foram testadas sem sucesso.

Nenhum medicamento foi aprovado para prevenção de NIPQ e apenas a duloxetina, da classe dos antidepressivos, é recomendada para o tratamento da NIPQ já estabelecida. Porém, a duloxetina apresenta efeitos colaterais como tontura, fraqueza, náuseas que afetam a sua aderência. O uso de outros medicamentos como amitriptilina, nortriptilina, gabapentina e baclofeno tópico em gel, apesar dos resultados inconclusivos dos estudos, podem ser utilizados baseados em sua eficácia em outros tipos de neuropatia.

Estudos com terapias não farmacológicas têm demonstrado resultados promissores e com baixo índice de efeitos colaterais. A massagem terapêutica apresentou melhora dramática em um relato de caso após neuropatia induzida por docetaxel e cisplatina. A acupuntura manual e a eletroacupuntura demonstraram segurança e benefício na redução da dor relacionada a bortezomib e talidomida no tratamento de mieloma múltiplo.

A fotobiomodulação através de laserterapia de baixa potência tem sido aplicada no tratamento de neuropatia diabética e síndrome do túnel do carpo com redução de dor e formigamento. Seu mecanismo de ação envolve prevenção de apoptose neural e estímulo de regeneração nervosa. Estudo randomizado, placebo-controlado, comparou laserterapia com placebo em 70 pacientes com NPIQ após uso de taxano ou platina com aplicações 3 vezes/semana por 6 semanas. Aproximadamente 90% dos pacientes que receberam laserterapia relataram melhora significativa dos sintomas neurológicos após 8 semanas, comparado a apenas 3,3% dos pacientes que receberam placebo. Não foram relatados efeitos colaterais durante o procedimento.

Já a crioterapia tem demonstrado bons resultados na prevenção de queda do cabelo com uso de quimioterapia baseada e antracíclicos e taxanos no câncer de mamas devido a seu efeito vasoconstritor que impede a chegada da droga no couro cabeludo. Baseado nesse mecanismo de vasoconstrição induzido por baixas temperaturas, recente estudo avaliou o efeito da crioterapia na prevenção de neuropatia periférica induzida por paclitaxel em 40 pacientes com câncer de mama. A aplicação da crioterapia foi feita com luvas e meias geladas apenas no lado dominante dos pacientes para comparar os efeitos do tratamento com o lado não dominante. A duração total foi de 90 minutos, com início 15 minutos antes da infusão da quimioterapia e término 15 minutos após. A incidência de alterações táteis foi significativamente menor no lado tratado com crioterapia com diferença de 27,8% vs. 80,6% nas mãos (p<0,001) e 25% vs. 63,9% nos pés (p<0,001). Os efeitos colaterais mais relatados foram dor em 8,2% e sensação de frio em 4,2% dos pacientes. Apesar das intervenções não farmacológicas serem baseadas em estudos pequenos e necessitarem de estudos maiores para confirmação de seu benefício, é possível realizar esses procedimentos devido à baixa incidência de efeitos colaterais, benefício significativo em estudos randomizados e poucas opções farmacológicas no tratamento e prevenção da NPIQ.




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