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Exercício e Câncer - Repouso ou Atividade Física?

Publicado em 23/09/2019

Segundo a Sociedade Americana de Oncologia Cínica (ASCO), 75% dos pacientes com câncer diminuem o nível de atividade física quando recebem o diagnóstico. Isso se deve aos sintomas, muitas vezes, desencadeados pelo próprio tratamento e, até mesmo, aqueles pacientes que se exercitavam antes do diagnóstico tem uma a tendência a diminuir ou parar as suas atividades. O surpreendente é que, ainda hoje, muitos pacientes são aconselhados a limitar as atividades e realizarem repouso.

Essa imobilidade causa a diminuição dos níveis de energia, que gera a diminuição dos níveis de atividade física, durante o tratamento do câncer, o que pode resultar em fraqueza e descondicionamento, levando a um ciclo vicioso de diminuição da atividade e aumento da fadiga.

É importante ressaltar que o exercício físico é considerado a intervenção não farmacológica mais eficaz na promoção do bem-estar físico, mental e funcional de pacientes com câncer.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), dados de 2018, o sedentarismo atinge 23% da população adulta e 81% dos adolescentes.

A Recomendação Global de Atividade Física para Saúde, da OMS, sugere que adultos de 18 a 64 anos de idade realizem atividade física, a fim de melhorar a aptidão cardiorrespiratória , muscular, manter a saúde óssea , redução do risco de doenças não transmissíveis e depressão. Dentre as diversas recomendações destaca-se para esta faixa etária a prática de pelo menos 150 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada por semana, ou pelo menos 75 minutos de exercícios intensidade vigorosa semanal, ou a combinação das duas intensidades. Atividades de fortalecimento muscular devem englobar os grandes grupos musculares em dois ou mais dias da semana.

                Segundo estudos do American Cancer Society (ACS), a prática de atividade física é indicada antes, durante e após o tratamento do câncer. Considera-se que a prática de exercícios (realizados cinco ou mais dias na semana por até 60 minutos), associados a uma boa alimentação são fundamentais para a melhora da qualidade de vida, diminuição da gordura corporal e aumento da sobrevida. Além de atuar como fator fundamental para a manutenção da qualidade de vida e aumento do bem-estar físico e mental, com a diminuição de sintomas como ansiedade e depressão.

Foi realizado recentemente um estudo australiano  em que mais da metade dos pacientes (54%) estavam com câncer avançado. Os mesmos completaram uma pesquisa sobre exercícios físicos e não sabiam dos benefícios de se exercitar e, então, apenas 22% alcançaram níveis saudáveis de atividade física. A pesquisa reforça que a prática de atividade física deve ser encarada como parte essencial do tratamento contra o câncer. O estudo também revelou que o suporte social e a prática de atividade física estavam intimamente interligados, com pacientes com maior suporte se mostrando mais ativos.

                Sabendo de todas estas informações e compreendendo que a atividade física é essencial para a melhora do desempenho do paciente durante seu tratamento oncológico, o que o profissional da saúde deve levar em consideração antes do início da atividade física?

Em primeiro lugar é importante conversar com os membros da equipe multiprofissional e médica sobre o estado emocional, físico, nutricional, o estádio da doença de base, saber se o paciente tem comorbidades e quais são, bem como a avaliação de exames recentes, principalmente os exames laboratoriais. Em síntese é importante saber sobre a avaliação médica, clínica e laboratorial do paciente.

Através do diálogo e da análise que foram citadas, o fisioterapeuta conhecerá a performance atual do paciente quanto à parte clínica.

Num segundo momento, cabe a este profissional, realizar avaliações específicas da funcionalidade e da capacidade aeróbica deste paciente. Para mensurar a funcionalidade poderá ser usados instrumentos/escalas validadas e específicos como por exemplo a MIF que mede a independência funcional. Para a capacidade aeróbica pode ser usado desde um teste ergoespirométrico, como até mesmo com o teste da caminhada de seis minutos o qual é  rápido, barato e conseguimos ter base para mensurar a capacidade submáxima do paciente, além da avaliação de força e flexibilidade.

Quanto mais precocemente o paciente iniciar a atividade física, mais rápido ele usufruirá dos benefícios.

Outro aspecto muito importante a ser considerado é a sarcopenia. Até um tempo atrás a sarcopenia era associada somente ao envelhecimento, hoje os estudos mostram que em pacientes com câncer a sarcopenia também acontece independente  da idade do paciente.

A sarcopenia é uma perda generalizada e progressiva de massa e força muscular. O paciente deve ficar a atento aos sinais que ela manifesta, que pode ser constância de quedas e desiquilíbrio corporal mesmo em terrenos planos, fraturas recorrentes e dificuldade para realização de atividades cotidianas com descer ou subir escadas.

Mais uma vez, tem-se destaque, a atividade física realizada com profissional capacitado  pois através dos exercícios de resistência, associado a ingesta nutricional adequada, esse cenário pode ser revertido ou não avançado.

Para resumir: a ciência comprova que a maioria dos pacientes com doença oncológica não possuem restrições para realização de atividade física.

São inúmeros seus benefícios: o paciente apresenta menos ansiedade, dores, cansaço, fadiga e apresenta melhora da atividade física, socialização, disposição, qualidade de vida e autoestima.




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